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Craniossinostose (cranioestenose): sinais, diagnóstico e cirurgia

A craniossinostose, também chamada de cranioestenose, é o fechamento precoce de uma ou mais suturas do crânio do bebê. Ela muda a direção do crescimento da cabeça e cria formatos típicos, como a cabeça em barco ou a testa em triângulo. É rara, cerca de 1 a cada 2.000 a 2.500 nascidos vivos (Genetics in Medicine, 2013), e costuma ser tratada com cirurgia no primeiro ano de vida.

  • Sutura do crânio fechada antes do tempo
  • Avaliada pelo neurocirurgião pediátrico
  • Cirurgia em geral no primeiro ano

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A suspeita de craniossinostose é avaliada pelo neurocirurgião pediátrico, que confirma o diagnóstico e indica o tratamento.

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Definição

O que é craniossinostose

Craniossinostose é o fechamento de uma sutura do crânio antes do tempo. Como a cabeça não consegue crescer naquela direção, ela compensa crescendo para outros lados e muda de formato.

O crânio do bebê é formado por placas ósseas separadas por suturas, linhas flexíveis que permitem o crescimento rápido do cérebro nos primeiros anos. Na craniossinostose, uma ou mais dessas linhas se fecham cedo demais.

Cerca de 75% dos casos não estão ligados a síndromes; os demais aparecem junto com síndromes genéticas, como Apert e Crouzon (Genetics in Medicine, 2013). Diferente da assimetria posicional, a craniossinostose costuma estar presente desde o nascimento e não melhora com mudanças de posição.

O nome cranioestenose é um sinônimo usado no Brasil. As duas palavras descrevem a mesma condição.

Neurocirurgião pediátrico mostrando aos pais um modelo do crânio do bebê com as suturas
Tipos

Tipos de craniossinostose conforme a sutura

Cada sutura fechada gera um formato de cabeça típico. A sagital é a mais comum, e a lambdoide, a mais rara.

Tipos de craniossinostose, formato da cabeça e frequência
Sutura fechadaNome do formatoComo fica a cabeçaFrequência entre os casos
SagitalEscafocefaliaLonga e estreita, como um barcoDe 40% a 60%
Coronal de um ladoPlagiocefalia anteriorTesta achatada de um lado e órbita assimétricaDe 17% a 30% (coronais)
Coronal dos dois ladosBraquicefalia sinostóticaCurta e alta, muitas vezes com síndromeIncluída nas coronais
MetópicaTrigonocefaliaTesta em forma de triângulo, com quilha no meioDe menos de 10% a cerca de 25%
LambdoidePlagiocefalia posteriorNuca achatada de um lado, cabeça em trapézioDe 1% a 5%

Frequências segundo a SBP (2020), a AAFP (2004) e o estudo NBDPS; os números variam entre as fontes.

Pediatra examinando com as mãos a cabeça de um bebê deitado na maca
Comparativo

Diferença entre craniossinostose e plagiocefalia posicional

A craniossinostose existe desde o nascimento e não melhora com posição; a plagiocefalia posicional aparece nas primeiras semanas e melhora com cuidados. A forma vista de cima também muda: trapézio na craniossinostose lambdoide, paralelogramo na posicional.

Como diferenciar a craniossinostose lambdoide da plagiocefalia posicional
SinalPlagiocefalia posicionalCraniossinostose lambdoide
Vista de cimaParalelogramoTrapézio
Orelha do lado achatadoMais à frenteMais para trás e para baixo
Crista ósseaAusentePresente sobre a sutura
InícioSemanas após o nascimentoEm geral desde o nascimento
EvoluçãoMelhora com cuidadosNão melhora

Com base na AAP (2011) e em tabelas clínicas de diferenciação. Entenda a plagiocefalia posicional.

Sinais de alerta

Sinais de alerta da craniossinostose

Os sinais abaixo pedem avaliação com o neurocirurgião pediátrico sem demora. Sozinho, nenhum deles confirma o diagnóstico, mas todos justificam o exame especializado.

Formato desde o nascimento

A cabeça já era diferente ao nascer e piora com as semanas.

Crista sobre uma sutura

Uma quina dura e saliente ao longo de uma das linhas do crânio.

Testa em triângulo ou achatada

Testa pontuda no meio ou achatada de um lado, com olhos assimétricos.

Perímetro fora da curva

A medida da cabeça na caderneta fica abaixo ou acima do esperado.

Moleira tensa

Moleira estufada, com irritabilidade, vômitos ou sonolência, pede pronto atendimento.

Outros sinais no corpo

Alterações nas mãos, nos pés ou olhos muito saltados sugerem síndrome.

Passo a passo

Como é feito o diagnóstico da craniossinostose

O diagnóstico começa no exame clínico. Exames de imagem entram para confirmar a sutura fechada e planejar o tratamento.

  1. Exame clínico

    O pediatra ou o neurocirurgião examina o formato, palpa as suturas e mede o perímetro da cabeça.

    Consulta
  2. Exame de imagem

    Radiografia, ultrassom das suturas ou tomografia confirmam qual sutura fechou.

    Quando há suspeita
  3. Avaliação genética

    Quando há sinais de síndrome, o geneticista investiga as causas.

    Se indicado
  4. Plano de tratamento

    A equipe define a técnica e o melhor momento da cirurgia.

    Primeiros meses
Tratamento

Tratamento da craniossinostose: cirurgia e capacete

A craniossinostose costuma ser tratada com cirurgia, feita cedo para liberar o crescimento da cabeça e evitar a pressão aumentada sobre o cérebro. A órtese craniana não trata a craniossinostose sozinha, mas completa a cirurgia endoscópica.

Bebês mais novos

Cirurgia endoscópica

  • Em geral até cerca de 6 meses
  • Cortes pequenos e menos sangramento
  • Seguida de capacete por alguns meses
Bebês mais velhos

Remodelação aberta

  • Comumente entre 6 e 12 meses
  • Remodela os ossos do crânio
  • Usada em casos complexos ou tardios

A cirurgia é feita pelo neurocirurgião, muitas vezes em equipe com o cirurgião craniofacial. Veja como é a cirurgia de craniossinostose, da preparação à recuperação.

Bebê de cerca de 5 meses usando capacete pós-operatório no colo da mãe
Quem trata

Quem procurar quando há suspeita de craniossinostose

O especialista central é o neurocirurgião pediátrico. O pediatra encaminha, o neuropediatra acompanha o desenvolvimento e a clínica de órtese entra depois da cirurgia endoscópica.

Perguntas dos pais

Perguntas frequentes sobre a craniossinostose

Craniossinostose e cranioestenose são a mesma coisa?

Sim. Craniossinostose e cranioestenose são nomes diferentes para a mesma condição: o fechamento precoce de uma ou mais suturas do crânio. Craniossinostose é o termo mais usado na literatura médica atual, e cranioestenose ainda aparece em laudos e conversas no Brasil. O diagnóstico e o tratamento são os mesmos.

A craniossinostose tem cura?

Sim. A cirurgia libera o crescimento da cabeça e corrige o formato, e a maioria das crianças operadas no momento certo tem bons resultados. Nos casos ligados a síndromes, pode ser preciso mais de uma cirurgia ao longo da infância. O acompanhamento com o neurocirurgião pediátrico continua depois da operação.

Com quantos meses se opera a craniossinostose?

Em geral, no primeiro ano de vida. A cirurgia endoscópica costuma ser feita em bebês mais novos, até cerca de 6 meses, e é seguida de capacete. A remodelação aberta é mais usada entre 6 e 12 meses ou em casos complexos. O momento exato é definido pelo neurocirurgião para cada bebê.

A craniossinostose afeta o cérebro?

Ela pode afetar se não for tratada. Quando uma ou mais suturas fecham cedo, o crânio pode limitar o crescimento do cérebro e aumentar a pressão dentro da cabeça, sobretudo quando várias suturas estão envolvidas. Por isso a avaliação precoce e a cirurgia no momento certo são tão importantes.

O capacete trata a craniossinostose?

Não sozinho. Na craniossinostose não operada, a órtese craniana é contraindicada, porque a sutura fechada impede o crescimento naquela direção. O capacete entra depois da cirurgia endoscópica, para guiar o crescimento da cabeça por alguns meses. Quem indica o capacete pós-operatório é a equipe que fez a cirurgia.

Qual é o CID da craniossinostose?

A craniossinostose usa o CID Q75.0, entre as malformações congênitas dos ossos do crânio e da face. O código aparece em laudos, pedidos de exames e de cirurgia e em relatórios para o plano de saúde. Quem define o CID é o médico, conforme o diagnóstico confirmado no exame clínico e de imagem.

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